CIêNCIA

Starship falha voo 13 na rampa e complica calendário lunar da NASA

Quatro Raptors ficaram calados e o aborto automático travou o lançamento. Para um foguetão que tem de voar em série para a Artemis, cada não-descolagem pesa.

Starship falha voo 13 na rampa e complica calendário lunar da NASA

O 13.º teste de voo do Starship acabou sem voo. A SpaceX acendeu os motores do super booster às 22h45 UTC de 16 de julho, mas quatro Raptors não arrancaram e o sistema automático abortou a descolagem a poucos instantes do zero.

Elon Musk confirmou depois no X que “alguns motores não arrancaram” e que serão removidos e substituídos dois Raptors antes da próxima tentativa. Falta saber o detalhe que interessa a qualquer engenheiro: qual foi exactamente a falha e se obriga a desempilhar o conjunto para mexer no estágio inferior. Num foguetão pensado para ser quase uma frota de camiões espaciais, com múltiplos voos em sequência, cada intervenção profunda lembra que esta produção em massa ainda é mais powerpoint do que linha de montagem.

O Flight Test 13 seria o segundo voo da configuração V3 do Starship. O veículo ainda não chegou a órbita, mas a SpaceX precisa que este teste demonstre coisas muito concretas: reinício de motores no espaço e capacidade de ir além de saltos suborbitais. NASA não está a contratar um espectáculo de pirotecnia em Boca Chica, está a comprar um sistema de transporte para a Artemis III em 2027 e a Artemis IV em 2028. Esse sistema tem de estar qualificado para operações orbitais bem antes, o que torna cada mês perdido num luxo que o programa lunar não tem.

O lado financeiro também apanha calor. Depois da euforia inicial que, em papel, fez de Musk um trilionário, as acções da SpaceX recuaram para pouco acima dos 131$, já abaixo do preço de entrada em bolsa de 135$, que avaliou a empresa em cerca de 1,78 biliões de dólares. Não é que Wall Street se importe muito com um aborto automático, que até demonstra que a detecção de anomalias funciona, mas a narrativa do foguete reutilizável que imprime dinheiro perde brilho sempre que o gigante de aço nem chega a limpar a torre.

Para a NASA, o constrangimento é maior do que o de relações públicas. A agência anunciou agora que vai usar a constelação Starlink para enviar as imagens da Orion na Artemis III. Fica tudo na família SpaceX, do foguetão ao canal de transmissão. Se o Starship não estiver pronto a tempo para o encontro em órbita lunar, as fotos serão em alta resolução, mas faltar-lhes-á a peça central do filme: o próprio lander. A comparação com a Apollo, que fazia o trabalho com um só Saturn V por missão, fica cada vez mais desconfortável à medida que se empilham lançamentos, acoplagens e repostagens em cadeia.

Musk fala em nova tentativa “no início da próxima semana”, mas até agora não há data oficial. Entre a pressão política para pôr bandeiras na Lua antes da China e a pressão interna para provar que o modelo de foguetão gigante reutilizável é sustentável, abortos como este são menos um desastre técnico e mais um lembrete de que a engenharia orbital não obedece a timelines de startup. A rampa funcionou como devia, o problema é tudo o que ainda falta para sair dela rumo à Lua.

Fonte: The Register

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