Valve recua e iFixit vai continuar a vender baterias para a Steam Deck
Depois de um susto dado por um comentário no Reddit, a Valve garante que as baterias oficiais da Steam Deck LCD vão voltar ao stock da iFixit já para a semana.
Depois de um susto dado por um comentário no Reddit, a Valve garante que as baterias oficiais da Steam Deck LCD vão voltar ao stock da iFixit já para a semana.
Durante algumas horas pareceu que a Valve tinha atirado a toalha ao chão naquilo que mais a distinguia de quase toda a indústria: levar a sério o direito à reparação. Um comentário no Reddit, confirmado inicialmente pela própria iFixit, deu a entender que a bateria original da Steam Deck LCD tinha sido descontinuada. Para quem comprou a consola de mão nos primeiros tempos, isto traduzia-se numa frase simples: quando a bateria morrer, boa sorte.
A Valve veio agora dizer o contrário. Em resposta ao The Verge, a empresa garante que a iFixit vai voltar a ter baterias em stock já para a semana. E sublinha que a loja de reparações vai receber as mesmas peças OEM (Original Equipment Manufacturer) fornecidas pelos parceiros habituais da Valve. Ou seja, nada de baterias genéricas manhosas. Pelo menos para já.
O retrocesso foi rápido. De manhã, o CEO da iFixit, Kyle Wiens, explicava que tinha sido informado de que não haveria mais baterias nem ecrãs para a Steam Deck LCD. À tarde, já dizia que a Valve os tinha ligado a um novo fornecedor e que o assunto estava a ser tratado. Se no futuro a Valve decidir mesmo “aposentar” esta bateria, a iFixit promete tentar segurar o barco com um fornecedor aftermarket. Nas palavras de Wiens: quer que as pessoas saibam que vão arranjar forma de haver baterias para estes aparelhos.
O mais provável é ter sido um erro de planeamento de stocks, não uma conspiração anti-reparação. O próprio Wiens admite que, se acertas em baixa nas previsões, ficas sem peças, e se acertas em alta, ficas com material encalhado a perder dinheiro numa prateleira. O problema é que, do lado de quem comprou uma consola de 400€ ou mais, este tipo de “engano” traduz-se em ansiedade muito concreta sobre quanto tempo dura o investimento.
Curiosamente, o caso cruza-se com a pressão regulatória europeia em torno das baterias substituíveis. A partir de fevereiro de 2027, novos dispositivos vendidos na UE vão ter de ter baterias substituíveis pelo utilizador. Essas regras já levaram a Nintendo a matar a Switch original na Europa e a preparar uma versão da Switch 2 com bateria substituível para cumprir a lei, algo de que já falámos quando a Nintendo anunciou a retirada da Switch original do mercado europeu em nome das baterias. A Steam Deck LCD, essa, saiu de cena em dezembro passado, por isso a obrigação legal não lhe toca. O vazio de peças teria sido puro desleixo, não uma exigência da UE.
Nos Estados Unidos também começam a surgir leis de direito à reparação, mas muitas excluem explicitamente consolas de jogos. A Steam Deck está precisamente nesse limbo, consola para uns, PC para outros, o que dá margem a este tipo de ambiguidades. A verdade é simples: se a Valve quer continuar a ser a “boa aluna” da reparação que gosta de parecer, não pode deixar o componente mais crítico de um dispositivo portátil a depender de threads no Reddit e recuos à pressa. A Steam Deck nova com ecrã OLED até pode ser o brinquedo do momento, mas quem apostou na LCD não deve ser tratado como beta tester descartável.
Fonte: The Verge
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