OnePlus prepara saída da Europa, incluindo Portugal
A marca que foi símbolo de "flagship killer" vai abandonar EUA e Europa num recuo global da Oppo. Para quem queria fugir ao duopólio Apple/Samsung, o leque encolhe mais um pouco.
A marca que foi símbolo de "flagship killer" vai abandonar EUA e Europa num recuo global da Oppo. Para quem queria fugir ao duopólio Apple/Samsung, o leque encolhe mais um pouco.
A OnePlus está prestes a abandonar o mercado de smartphones nos EUA e na Europa, Portugal incluído, como parte de uma reestruturação maior na casa-mãe Oppo, avança a Bloomberg. A saída pode começar já esta semana, segundo uma fonte citada pela agência. Em paralelo, a Realme, outra marca do grupo, vai sair da China. Fora da China, o recuo da OnePlus deverá alargar-se ao resto do mundo, Índia incluída, algures em 2027.
Para quem anda nisto há uns anos, isto fecha um ciclo. A OnePlus ganhou culto entre entusiastas Android com a fórmula simples: bom hardware, software relativamente limpo, e preços agressivos que cortavam centenas de dólares face a Apple e Samsung. Chegou a ser a resposta fácil quando alguém pedia um topo de gama “sem custar um rim”. Nos últimos anos, entre subidas de preços, integração cada vez mais apertada com a Oppo e menos diferenciação, a marca foi perdendo relevância. O recuo agora assume o que o mercado já suspeitava: o projecto global da OnePlus falhou.
O contexto ajuda a perceber a decisão. Nos EUA, Apple e Samsung dominam o mercado de forma quase caricata. A Apple chegou aos 20% de quota global no segundo trimestre de 2026 e a Samsung mantém o topo com 22%, segundo a Omdia. A OnePlus, por sua vez, fica atrás até de marcas consideradas “secundárias” como a Motorola ou a Google. Sem operadores a puxar pelos equipamentos, a presença em loja é fraca e o marketing é caro. A ideia de que se entra num mercado destes “só” com bom hardware morreu há muito.
Na China, o cenário não é mais simpático para a Oppo. Fica atrás de Huawei e Apple num mercado que encolheu 4,3% em termos de unidades no último ano, segundo a IDC. Pior, há uma crise séria nos preços de memória: os custos em equipamentos de entrada dispararam 20% a 30% desde 2025. A Apple já admitiu que teve de subir preços por causa dos chips de memória, mas tem margens para aguentar a pancada. As marcas chinesas, mais dependentes de volume e de gama média/baixa, têm muito menos almofada. A Bloomberg cita a Counterpoint Research para sublinhar que Oppo e companhia sofrem bem mais com esta pressão que Apple ou Samsung.
A OnePlus até tinha um flagship recente e global, o OnePlus 15, lançado em novembro de 2025. Nos EUA, o próprio lançamento foi adiado devido ao atraso nas certificações da FCC causado pelo shutdown do governo federal, um detalhe que mostra como a marca parecia sempre a remar contra a maré em mercados ocidentais. Na Europa, incluindo Portugal, a distribuição nunca foi verdadeiramente massificada: presença irregular nas grandes cadeias, poucas parcerias com operadores, e marketing quase invisível fora das redes sociais.
Para os utilizadores em Portugal, o impacto imediato é relativamente simples: menos escolha em Android “quase puro” fora do trio Samsung, Google e Xiaomi. Quem já tem um OnePlus em garantia vai depender da forma como a Oppo organizar o pós-venda local, detalhe que ainda ninguém clarificou. O sinal mais preocupante nem é a saída em si, é o que ela diz sobre o estado do mercado: cada choque na cadeia de componentes aperta ainda mais o duopólio e empurra as marcas médias para fora do tabuleiro. Em teoria, a concorrência deveria proteger o consumidor. Na prática, estamos cada vez mais perto de um mercado de smartphones tão concentrado como o das consolas.
Fonte: MacRumors
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