Hisense A10: telemóvel E Ink com ecrã LCD destacável
A Hisense juntou um ecrã E Ink para ler e um LCD a cores magnético para tudo o resto. Ideia ousada, execução ainda cheia de pontos de interrogação.
A Hisense juntou um ecrã E Ink para ler e um LCD a cores magnético para tudo o resto. Ideia ousada, execução ainda cheia de pontos de interrogação.
A Hisense está a preparar o A10, um telemóvel Android com ecrã principal em E Ink e um segundo ecrã LCD a cores que se prende magneticamente à traseira. Não é conceito em feira de tecnologia, é produto real a caminho do mercado chinês, com um posicionamento estranho: meio leitor digital, meio smartphone, meio Frankenstein modular.
O painel principal é um E Ink táctil de 6,13 polegadas, pensado para leitura, estudo e apontamentos, com aquele aspeto de papel que já conheces dos ereaders. A ideia é clara: menos brilho, menos fadiga visual, muito melhor ao sol e, em teoria, consumos de energia muito mais baixos. Para tudo o que peça cor e fluidez, da galeria de fotos aos vídeos, entra o acessório: um ecrã LCD a cores que se encaixa por ímanes na traseira e transforma o A10 numa espécie de telemóvel biface.
Segundo leaks no X e no Weibo, o A10 deverá ter 5G e vir com Android 16, algo que o tira logo da categoria de gadget de nicho sem suporte e aproxima mais de um telemóvel “normal”. Há ainda rumores de Snapdragon 8 Gen 3, o que, se se confirmar, é um exagero simpático de potência para um dispositivo cujo apelo principal é ler PDFs e ebooks. Aqui nota-se bem a tensão: hardware de topo metido num conceito que continua a falar sobretudo para geeks que hoje já andam com um Kindle na mochila. Para quem só quer um ecrã mate para ler, tablets como o TCL Nxtpaper 11 Plus continuam a fazer mais sentido e a custar bem menos.
A Hisense poderá vender o A10 apenas com o ecrã E Ink, deixando o LCD como extra. O preço apontado ronda os $590, cerca de ~540€, e tudo indica que esse valor seja apenas para o corpo principal. O módulo LCD deverá acrescentar mais uns bons euros, metendo este híbrido facilmente em território de topo de gama Android mais tradicional. Por muito charme que um ecrã tipo papel tenha, pagar preço de flagship para depois andar a encaixar um acessório magnético atrás do telemóvel parece pedido a mais para o utilizador comum.
Não é o primeiro experimento do género. A Bigme já tentou algo semelhante com o HiBreak Dual 2, também com E Ink à frente e LCD atrás, até com opção de E Ink a cores. O histórico destes aparelhos é sempre o mesmo: entusiasmo em fóruns, campanhas de crowdfunding e depois uma vida curta fora da bolha. A Hisense tem mais músculo industrial, mas continua a falar de um segmento micro, que a Apple, Samsung e companhia ignoram sem perder sono.
Para Portugal e resto da Europa não há plano oficial, e nem sequer lançamento nos EUA é esperado. Quem estiver realmente interessado terá de olhar para importação a partir de lojas chinesas, com tudo o que isso implica de garantias, ROMs pouco afinadas e suporte aleatório. A verdadeira questão é outra: em 2026, quando a maior parte das pessoas já está agarrada a um só ecrã brilhante de 120 Hz, há espaço real para um telemóvel que te pede para escolher entre ler descansado e ver vídeos com jeito, trocando literalmente de costas?
Fonte: Engadget
Comentários · 0