TCL NXTPAPER 11 Plus: tablet barato com ecrã mate fora da caixa
O novo tablet low-cost da TCL aposta num ecrã mate tipo papel e numa construção acima da média. Falha em promessas de software e em detalhes que contam no dia-a-dia.
O novo tablet low-cost da TCL aposta num ecrã mate tipo papel e numa construção acima da média. Falha em promessas de software e em detalhes que contam no dia-a-dia.
Um tablet Android de ~230€ não costuma ter grande personalidade. O TCL NXTPAPER 11 Plus foge ao molde logo onde mais interessa: o ecrã. A marca pega no conceito de “papel digital” que tem vindo a mostrar em feiras e traz um painel mate que não é só marketing. Para quem lê muito, tira apontamentos ou está farto de reflexos a espelhar o tecto da sala, isto muda mesmo a forma como se usa o tablet.
O modelo testado pelo Android Authority custa $249,99 nos EUA, sem preço europeu confirmado, e posiciona-se frente aos habituais Samsung baratos e Lenovos de supermercado. A diferença começa na caixa: em vez do clássico tablet + cabo USB-C e pouco mais, a TCL inclui caneta e, em alguns bundles, capa tipo folio. Para o segmento low-cost, é raro. Mais importante, a construção em metal e o acabamento preto mate dão-lhe um ar mais próximo de um mid-range bem cuidado do que de um “brinquedo” barato.
O NXTPAPER 11 Plus pesa 490 g e usa um formato 3:2 em vez do típico 16:10. No papel parece irrelevante, na mão sente-se logo: fica mais equilibrado tanto na vertical como na horizontal, especialmente para ler PDFs, páginas web ou apontamentos. O módulo de câmara circular centrado na traseira também lhe dá um pouco de identidade num mar de rectângulos anónimos. Depois há o tal terceiro botão dedicado ao modo NXTPAPER, que ajusta o comportamento do ecrã mate e é, basicamente, o interruptor da única grande graça deste tablet.
Este painel mate faz exactamente o que muitos andam a pedir há anos: corta reflexos, tira aquele brilho “vidro molhado” típico de tablets baratos e aproxima a sensação visual de uma folha impressa. Não é um ecrã de leitor de e-books, continua a ser LCD, mas ler durante mais tempo cansa menos os olhos e escrever com a caneta ganha textura. Para estudantes, leitores compulsivos ou quem quer um bloco digital para reuniões, isto vale bem mais do que mais 2 ou 3 fps em jogos casuais.
Claro que o preço não desaparece por magia. O desempenho é descrito como modesto, suficiente para navegação, streaming e produtividade leve, mas longe de um iPad ou de tablets Android mais sérios. Pior do que isso é a típica sombra da TCL: pouca transparência na política de actualizações. Em 2026, comprar um Android barato sem saber bem quantas versões do sistema vai receber é aceitar um prazo de validade curto. E depois há ausências difíceis de engolir: nada de jack de auscultadores, nada de slot microSD, e a caneta não carrega magneticamente, obrigando a mais um cabo na secretária.
Visto de Portugal, o TCL NXTPAPER 11 Plus só faz sentido se chegar à Europa a um preço claramente abaixo da concorrência mais conhecida. Se isso acontecer, pode ser o primeiro tablet barato recente que se recomenda não por ser “suficiente”, mas porque faz uma aposta clara no ecrã e na escrita. Se a TCL quisesse mesmo levar isto a sério, alinhava as actualizações com os grandes nomes. Até lá, é um tablet com uma ideia boa e execução honesta, mas com a clássica nota de rodapé: pensa bem quanto te pesa a falta de garantias no software.
Fonte: Android Authority
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