SOFTWARE

Spotify dá mais controlo ao Release Radar para afinar sugestões

A playlist automática de sextas-feiras ganha botões de personalização rápidos. Menos tiros ao lado, mais música que realmente queres ouvir.

Spotify dá mais controlo ao Release Radar para afinar sugestões

O Release Radar do Spotify acabou de ganhar um cérebro ligeiramente mais afinado e, sobretudo, mais botões à vista. A partir de agora, tanto na app móvel como na versão desktop, vais poder dizer à playlist semanal que tipo de sessão queres ter em vez de engolir a mistura genérica que o algoritmo decide naquele dia.

A mudança vê-se logo no topo da playlist: surgem até cinco opções de sessão como “Discover new artists”, “Editors’ picks”, “Easy listen” ou “Pop”, entre outras. Escolhes um rótulo, o Spotify estreita o foco e tenta alinhar as sugestões com esse mood específico. É um passo simples de interface, mas mostra a empresa a admitir algo básico: uma pessoa não ouve música da mesma forma todas as sextas-feiras de manhã.

Além destes novos controlos de sessão, o Spotify diz ter mexido no sistema de recomendações do Release Radar e deu também um retoque visual, com capa e cabeçalho novos. A playlist continua a ser lançada à sexta-feira, com até duas horas de música: temas recentes de artistas que já segues misturados com faixas de nomes que o modelo acha que vais gostar. A diferença é que agora tens uma forma explícita de o orientar sem ires vasculhar menus escondidos ou passares meia hora a carregar em “não gosto”.

Para quem ouve em Portugal, esta afinação é menos glamour e mais higiene digital. Nos últimos anos, o Release Radar tornou-se quase tão central como o Discover Weekly, mas também mais caótico: uma avalanche de lançamentos nem sempre relevantes, muito influenciada por colaborações aleatórias e por artistas que seguiste há uma década. A possibilidade de escolher algo como “fácil de ouvir” para trabalhar, ou apostar em “descobrir novos artistas” quando tens tempo para atenção ativa, aproxima a playlist de uma função que já devíamos ter tido desde o início: dizer ao serviço o contexto em vez de só o perfil abstrato.

Claro que isto continua a ser Spotify puro: controlo parcial, moldura editorial forte e pouca transparência sobre como cada opção altera o algoritmo. “Editors’ picks” soa bem, mas também significa confiar novamente na curadoria da própria plataforma, o que tende a privilegiar quem já está dentro da máquina promocional. Ainda assim, entre um radar que despeja tudo e outro que pelo menos deixa escolher a direcção, a segunda opção é claramente preferível.

Para já, os novos controlos estão em distribuição global, por isso é uma questão de dias até aparecerem nas contas em Portugal. Se o teu Release Radar anda cheio de faixas que saltas ao fim de cinco segundos, estes botões de sessão não vão transformar a relação com a música, mas podem reduzir o ruído. E num serviço que vive de te manter lá dentro mais tempo, qualquer passo que também devolva algum controlo ao ouvinte é raro o suficiente para merecer atenção.

Fonte: Engadget

Newsletter

Os artigos que importam, duas vezes por semana.

Terça e sexta, cinco minutos de leitura. Sem spam, cancelas quando quiseres.

Comentários · 0