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Wi‑Fi 7 nos routers: o rótulo não diz tudo o que devias saber

A nova sigla nos routers promete velocidades loucas e latência mínima. Entre hífenes manhosos e MLO a meio gás, muita desta promessa fica só na caixa.

Wi‑Fi 7 nos routers: o rótulo não diz tudo o que devias saber

Se tens andado a ver routers nos últimos meses, é quase impossível não tropeçar em caixas com “Wi‑Fi 7” escrito em letras gigantes. Vês o selo em tudo, desde routers de 80$ (~75€) até aos topos de gama que custam tanto como um portátil. A história que o marketing conta é simples: mais velocidade, menos latência, casa “pronta para o futuro”. O problema é que o standard é bem mais complicado do que o rótulo sugere e muitas marcas estão a esticar a definição até ao limite.

Comecemos pelo básico. Wi‑Fi 7 é o nome simpático do standard IEEE 802.11be. Traz três coisas grandes em cima de Wi‑Fi 6/6E: canais de 320 MHz, 4K‑QAM (Quadrature Amplitude Modulation) e MLO, Multi‑Link Operation. Os canais de 320 MHz abrem espaço para planos de internet multi‑gigabit e transferências locais absurdamente rápidas, se tiveres hardware e serviço para isso. O 4K‑QAM consegue enfiar mais bits por símbolo, o que melhora os débitos de pico. Mas a peça realmente diferenciadora é o MLO, a tal capacidade teórica de usar ao mesmo tempo as bandas de 2,4 GHz, 5 GHz e 6 GHz, distribuindo o tráfego conforme a carga e interferências.

É aqui que as coisas começam a cheirar a publicidade criativa. O selo oficial “Wi‑Fi Certified 7” da Wi‑Fi Alliance exige suporte para MLO, mesmo que seja na versão mais modesta, NSTR (Non‑Simultaneous Transmit and Receive), em que o equipamento alterna entre bandas em vez de as usar todas em simultâneo. O modo ideal seria STR, com múltiplos rádios independentes a transmitir e receber ao mesmo tempo. Só que, como mostrou a RTINGS ao testar 25 routers em 2026, a maior parte dos modelos em circulação não oferece MLO “a sério”, apenas esta alternância esperta entre bandas, com ganhos práticos bastante mais tímidos do que a ficha técnica sugere.

Depois há o truque do hífen. “Wi‑Fi” com hífen é marca registada. Para usá‑la, a marca tem de seguir as regras da Wi‑Fi Alliance e certificar o produto, incluindo MLO. Mas se o fabricante escrever “WiFi 7”, sem hífen, tecnicamente já não está a usar a marca registada e foge às obrigações. Resultado: encontras routers à venda com “WiFi 7” na caixa, sem qualquer implementação de MLO. Parecem de última geração, custam como de última geração, mas na prática comportam‑se como um Wi‑Fi 6E com maquilhagem nova.

Num mercado europeu em que um bom router Wi‑Fi 6 ou 6E já se encontra por 120‑150€, pagar 250‑400€ por um “Wi‑Fi 7” que nem tem MLO funcional é, no mínimo, discutível. Ainda por cima quando quase nenhum dos teus equipamentos lá de casa fala Wi‑Fi 7: o portátil do trabalho, o telemóvel de há dois anos, a smart TV que compraste em promoção, todos eles ficam presos a standards anteriores. E mesmo que tivesses tudo atualizado, continuas dependente do teu plano de internet. Se o contrato é de 500 Mbps ou 1 Gbps, os “multi‑gigabit” da caixa são teoria bonita.

Isto não quer dizer que todo o router com rótulo Wi‑Fi 7 seja mau produto. Quer dizer que a geração ainda está verde, que o selo pouco garante e que a conversa da “futura‑prova” serve mais as vendas do que a tua rede doméstica. Para já, a regra sensata é simples: ignora o número grande no autocolante e vai à ficha técnica à procura de MLO explícito, certificação “Wi‑Fi Certified 7” e rádios independentes. Se não estiver lá preto no branco, mais vale ficar com um bom Wi‑Fi 6E e guardar a diferença para quando o Wi‑Fi 7 for mais do que marketing em cima de um hífen.

Fonte: Engadget

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