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Meta começa a cobrar mensalidade por funções dos seus óculos IA

A Meta vende os óculos quase ao preço de custo e tenta recuperar na mensalidade. O hardware é teu, o controlo sobre o que ele faz nem por isso.

Meta começa a cobrar mensalidade por funções dos seus óculos IA

A Meta decidiu que não chega vender-te os óculos inteligentes. Agora quer uma mensalidade para poderes usar melhor uma das funções-chave: o Conversation Focus, que amplifica a voz da pessoa com quem estás a falar em ambientes barulhentos. Sem subscrição tens três horas por mês. Queres mais, pagas. Mesmo assim ficas limitado a 15 horas.

O detalhe irritante é este: o Conversation Focus corre no próprio dispositivo. Não está a gastar GPU em data centers nem a despejar tráfego para os servidores da Meta. A empresa faz questão de dizer que “não é um limite de IA”, mas na prática é um paywall artificial em cima de hardware que já compraste. A assinatura Meta One Premium dá-te essas horas extra e ainda “Premium Device Support”, isto é, acesso mais rápido a humanos treinados nas funcionalidades dos óculos quando algo corre mal.

É a consequência lógica da estratégia que a Meta já tinha começado quando cortou com a Ray-Ban para lançar óculos mais baratos com marca própria: vender quase ao preço de custo para encher o mundo de hardware, depois espremer a margem no software e nos serviços. Chris Harrison, do Future Interfaces Group da Carnegie Mellon, é bastante claro: não se trata de recuperar custos de IA, trata-se de monetizar utilizadores. Os modelos estão mais eficientes, a conta de electricidade não justifica esta mensalidade, o modelo de negócio sim.

Para já, a Meta diz que “a esmagadora maioria” das pessoas não toca no limite gratuito, com base em dados do programa de acesso antecipado. Também promete ajustar o tecto se as queixas forem muitas. Mas a linguagem oficial é reveladora: “vamos começar a testar novos planos de subscrição opcionais com mais funcionalidades premium e capacidades avançadas”. Traduzindo para menos PowerPoint: tudo o que parecer minimamente valioso corre o risco de ficar trancado atrás de um plano mensal.

O risco para a Meta é abrir espaço para concorrentes que ofereçam funcionalidades equivalentes sem este tipo de corte a meio. O alvo mais óbvio é a Google, que se prepara para lançar os seus próprios óculos inteligentes em parceria com a Samsung e marcas de óculos como a Warby Parker e a Gentle Monster. Ainda não há preços nem confirmação de subscrição, mas a Google tem mostrado que consegue correr modelos de IA de forma bastante eficiente nos Pixel. Se decidir absorver mais custo em vez de fatiar funções em escalões pagos, a Meta fica com um problema competitivo criado por si própria.

Para o consumidor, o precedente é o mais preocupante. A lógica do “compras o hardware, alugamos-te as funcionalidades” encaixa demasiado bem no que a indústria quer fazer com carros, consolas e gadgets domésticos. Hoje são três horas de áudio focado por mês, amanhã pode ser a câmara em alta resolução, depois de amanhã o reconhecimento de objectos em tempo real. Se a tendência pegar, o preço na prateleira vai ser só metade da história. A outra metade chega em débito directo.

Fonte: Wired

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