Polestar expulsa dos EUA por software chinês nos carros elétricos
Nova regra de segurança norte-americana proíbe carros com software da China e corta a Polestar do mercado a partir de 2027. A marca responde com foco agressivo na Europa.
Nova regra de segurança norte-americana proíbe carros com software da China e corta a Polestar do mercado a partir de 2027. A marca responde com foco agressivo na Europa.
A Polestar foi basicamente posta à porta do maior mercado automóvel do mundo. A partir do ano-modelo 2027, a marca não pode vender carros elétricos nos EUA depois de Washington lhe recusar autorização ao abrigo de uma regra que bloqueia veículos com software vindo de “países de preocupação”, China incluída. Não é uma tarifa, é um corte ao nível do código.
A regra, criada na administração Biden, vai além das guerras de preços dos elétricos. Abrange tudo o que liga o carro ao exterior: Bluetooth, Wi-Fi, 4G/5G, satélite, câmaras, sensores, unidades de controlo. A tese é simples: um automóvel moderno é um smartphone sobre rodas, logo uma potencial máquina de recolha de dados sobre cidadãos e infraestruturas. Se esse software é chinês, entra na mesma gaveta de risco que redes 5G ou apps banidas em organismos públicos.
A ironia é que a Polestar até fabrica nos próprios EUA. O Polestar 3 sai de uma fábrica na Carolina do Sul e o Polestar 4 é montado na Coreia do Sul. O problema não é a chapa, é quem escreve o firmware. A marca é controlada pela chinesa Geely, por isso a ligação à China não se apaga com um carimbo “Made in USA”. E, ao contrário da Volvo, também dominada pela Geely mas entretanto autorizada a continuar a vender nos EUA, a Polestar caiu do lado errado da linha política e regulatória.
A empresa já tinha avisado em 2025 que teria de sair dos EUA se a regra avançasse. Agora confirma que vai vender apenas o stock existente e parar vendas e marketing dos modelos 2027 e seguintes. Para os atuais clientes, a promessa é de continuidade de garantias e assistência. Na prática, quem comprou um Polestar nos EUA passa a ter um carro de uma marca que abandona o país a meio do jogo, o que nunca é excelente sinal de estabilidade a longo prazo.
Do lado de cá do Atlântico, a história é outra. A Polestar diz que a Europa já vale 80 por cento das vendas e passa a ser o “motor de crescimento”. O futuro Polestar 7 será fabricado na Europa, num contexto em que Bruxelas prefere tarifas e investigações anti-subsídios a proibições totais ao estilo norte-americano. Depois de meses em que a indústria europeia discute se deve proteger os seus fabricantes face ao ataque de EVs chineses baratos, esta decisão dos EUA acaba por empurrar ainda mais marcas como a Polestar para o mercado europeu, com todos os riscos de dependência tecnológica que isso traz.
Para Portugal, isto traduz-se em mais uma marca focada na Europa num momento em que o mercado de elétricos abranda e alguns gigantes recuam nos planos mais ambiciosos. Entre construtores tradicionais a fechar fábricas, como no caso da GM que anda a trocar pessoas por robots nas linhas de elétricos, e governos a politizar o software dos carros, a próxima década de mobilidade elétrica vai ser menos sobre autonomia e mais sobre geopolítica e controlo de dados.
Fonte: The Verge
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