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OpenAI junta-se à Broadcom para fabricar o seu próprio chip de IA

Chama-se Jalapeño, é um ASIC para inferência de LLM em data centers e aponta a um objectivo claro: reduzir a dependência da Nvidia e controlar a pilha toda.

OpenAI junta-se à Broadcom para fabricar o seu próprio chip de IA

A OpenAI quer mandar menos e-mails à Nvidia e mais geradores de layout para a Broadcom. As duas empresas anunciaram o Jalapeño, um novo chip pensado de raiz para inferência de modelos de linguagem de grande escala em data centers. É um ASIC (Application-Specific Integrated Circuit) feito à medida das necessidades actuais de LLMs, com a promessa de melhor desempenho por watt do que o estado da arte usado hoje.

O Jalapeño não é um chip para o teu portátil nem para o teu telemóvel. A OpenAI e a Broadcom falam explicitamente em grandes centros de dados, com primeira vaga de deployment “até ao final do ano”. A Broadcom diz que o desenho foi feito de raiz para inferência, com base em “insights detalhados” das equipas de investigação da OpenAI e alinhado com o roadmap interno de modelos e produtos. Todo o ciclo, do desenho à produção, demorou nove meses, o que para um ASIC de servidor é agressivo. A parte menos glamorosa: quase não há especificações públicas.

O que há é marketing controlado. A OpenAI afirma que os primeiros testes mostram que o Jalapeño oferece “desempenho por watt substancialmente melhor” do que as soluções actuais, mas admite que ainda está a medir tudo e remete detalhes para um relatório técnico nos próximos meses. Traduzindo: por agora, é mais uma peça no puzzle político e estratégico da empresa do que um produto com ficha técnica para comparar com GPUs Nvidia H100 ou equivalentes.

O contexto é conhecido. Há uma crise de capacidade de computação, descrita pela própria OpenAI em eventos recentes: GPU de topo é um recurso escasso e caro, e quem o controla define o ritmo da inovação. Já escrevemos sobre como quem controla as GPUs controla a inovação, e o Jalapeño encaixa nesse movimento, agora do lado de quem consome computação massiva. A OpenAI quer “controlar a pilha completa” dos seus modelos, reduzir a dependência de terceiros como a Nvidia e, idealmente, baixar custo por token gerado.

Para a Broadcom, isto é a consolidação de uma linha de negócio que está a crescer: chips feitos à medida para hyperscalers e equipas que treinam modelos de fronteira. Em vez de vender apenas peças de infra-estrutura genéricas, a empresa vende silício sob medida para quem tem volumes de utilização tão absurdos que justifiquem um design dedicado. Em termos muito práticos, é a mesma lógica que tem levado actores de cloud a apostar em CPUs e aceleradores próprios, da Amazon com os Graviton à Google com os TPU.

Para quem está deste lado do Atlântico, isto tem duas leituras. A primeira: a concentração de poder computacional em poucas empresas fica ainda mais marcada, porque agora até o chip é desenhado segundo o caderno de encargos de um único cliente. A segunda: a dependência europeia neste tabuleiro não diminui, pelo contrário. Enquanto a UE fala de soberania digital e discute fundos para fábricas, a OpenAI fecha mais uma porta de saída à Nvidia e cava um fosso tecnológico que se mede em megawatts e wafers, não em PDFs de estratégia. Quando o relatório técnico do Jalapeño sair, os benchmarks vão interessar. Mas a notícia de hoje é política: quem manda nos modelos começa a mandar também no silício.

Fonte: Ars Technica

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