Honda aposta na QuantumScape para baterias de estado sólido após recuar nos EV
Acordo de investigação plurianual com a QuantumScape mostra que a Honda não desistiu totalmente dos eléctricos, mesmo depois de deitar fora a sua nova geração de EV.
Acordo de investigação plurianual com a QuantumScape mostra que a Honda não desistiu totalmente dos eléctricos, mesmo depois de deitar fora a sua nova geração de EV.
A Honda acabou de cancelar a sua nova família de carros eléctricos para a América do Norte e, dias depois, assina um acordo plurianual para desenvolver baterias de estado sólido com a QuantumScape. Não é coerência, é gestão de danos a longo prazo.
O acordo é entre a Honda R&D, o braço de investigação da marca japonesa, e a QuantumScape, startup californiana em que a Volkswagen já tinha metido fichas há anos. Depois de meses de testes internos e comparação com outras soluções, a Honda decidiu que a tecnologia de estado sólido da empresa valia um compromisso de vários anos. Na prática, torna-se o segundo grande construtor a assumir publicamente que pode vir a pôr estas células em carros de produção.
As baterias de estado sólido trocam o electrólito líquido das células de iões de lítio por um material sólido. A promessa é sempre a mesma: mais densidade energética, carregamentos bem mais rápidos, menor risco de incêndio. No papel, isto permite carros com mais autonomia, menos peso e menos tempo preso ao carregador. A QuantumScape diz que o seu separador cerâmico e o ânodo de lítio metálico dão vantagem clara face às células actuais. Na prática, ninguém está a vender um carro de produção com isto dentro, ao contrário do que já se começa a ver com baterias semi-sólidas na China.
É aqui que o movimento da Honda ganha cinismo. A marca cancelou a gama Honda 0 para a América do Norte, incluindo o 0 Saloon, o 0 SUV e o Acura RSX, o que pode representar até 15 mil milhões de dólares em perdas. Em paralelo, recuou nas metas: quer que apenas cerca de 20% das vendas globais em 2030 sejam eléctricos a bateria e está a recentrar-se em híbridos a partir de 2027. Ou seja, corta nos EV que podia vender hoje, mas compra bilhete para uma tecnologia que, na melhor das hipóteses, chega ao mercado na próxima década.
Para a QuantumScape, a entrada da Honda é oxigénio e validação. Até aqui, o grande parceiro era o Grupo Volkswagen, que licenciou a tecnologia através a sua subsidiária de baterias e também tem atrasado prazos ambiciosos. Um segundo grande construtor reduz a dependência de um só cliente e manda um recado a rivais como Toyota, BMW e Nissan, que seguem caminhos próprios para o estado sólido. A questão não é falta de interesse industrial, é quem consegue escalar isto de forma fiável e barata antes dos outros.
Para quem olha do lado europeu, o acordo não muda nada no curto prazo. Não há datas, não há fábricas, não há anúncio de modelos concretos com células QuantumScape, muito menos preços para o mercado europeu. O que existe é uma aposta partilhada de que o ciclo actual dos EV de iões de lítio é apenas a primeira ronda. Depois de ter falhado a entrada a sério nessa primeira ronda, a Honda está a tentar garantir que não perde também a segunda. A ironia é que, até lá, são os híbridos e as melhorias incrementais nas baterias actuais que vão definir o que chega aos stands portugueses.
Fonte: The Next Web
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