Fox compra a Roku por 22 mil milhões e mexe no comando da TV
O maior fabricante de software para smart TVs dos EUA passa para as mãos da Fox. Menus, recomendações e publicidade vão mudar, mesmo em salas de estar europeias.
O maior fabricante de software para smart TVs dos EUA passa para as mãos da Fox. Menus, recomendações e publicidade vão mudar, mesmo em salas de estar europeias.
A Fox vai comprar a Roku por 22 mil milhões de dólares, num negócio que cria, segundo as próprias empresas, o terceiro maior grupo de televisão dos EUA em quota de visualização. O acordo junta os canais lineares da Fox, o streamer Tubi e o catálogo desportivo à plataforma de streaming que domina os dongles e o software de muitas smart TVs, sobretudo no mercado norte‑americano.
Para a Fox, isto é menos um capricho tecnológico e mais uma tentativa de garantir acesso direto ao ecrã inicial da televisão. Lachlan Murdoch fala num “momento definidor” e vende a operação como a união do “conteúdo em direto mais valioso” com a “plataforma de streaming preeminente” através da qual a América o vê. Traduzindo: quem controla o ecrã inicial controla o que vês primeiro, o que assinas e onde vês anúncios.
Anthony Wood, fundador e CEO da Roku, vai continuar na empresa e entra no conselho de administração da Fox. Insiste que a Roku “vai continuar a operar como uma plataforma aberta e amiga dos parceiros”, mas admite o essencial: as áreas do ecrã inicial usadas hoje para destacar conteúdos próprios da Roku “vão obviamente passar a incluir propriedades da Fox”, com o exemplo concreto de uma integração mais profunda da Fox Sports na zona de desporto. Em teoria, o modelo continua aberto. Na prática, o destaque editorial passa a ter dono claro.
Para quem está em Portugal, esta fusão não é uma curiosidade distante. Roku pode não ter a mesma presença que nos EUA, mas começa a surgir em televisores vendidos por cá e em compras via Amazon Espanha ou Alemanha. A forma como a Roku equilibra recomendações entre Netflix, Disney+, Amazon Prime Video, apps de operadores portugueses e o novo bloco Fox/Tubi vai afetar diretamente o que aparece à frente do comando. E do lado da publicidade, um conglomerado com esta escala ganha ainda mais poder para empurrar formatos e métricas que depois são copiados por concorrentes europeus.
A empresa fala em “distribuição ubíqua” continuada do conteúdo Fox, ou seja, não há, para já, ameaça de muralhas exclusivas. A Fox precisa que os seus canais lineares e apps estejam na maior quantidade possível de plataformas, de boxes de operadores europeus a consolas. O risco está menos no desaparecimento de apps e mais na hierarquia invisível: posições no menu, faixas de destaque, recomendações automáticas. Quem se lembra da neutralidade da internet percebe o padrão, agora aplicado ao ecrã da sala.
O negócio deve fechar na primeira metade de 2027, sujeito à aprovação dos reguladores nos EUA, que as empresas classificam como pouco problemática, e a um conjunto “muito limitado” de autorizações internacionais. Se passar sem grandes condições, fica dado mais um passo na concentração de quem tem o poder de decidir o que aparece primeiro quando ligas a televisão. Não é um detalhe de bastidores, é a grelha do futuro a ser redesenhada ao nível do menu inicial.
Fonte: The Verge
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