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Como impedir que saibam quando abres emails no Gmail

Qualquer pessoa pode saber quantas vezes abriste um email e que links clicaste, sem precisares de aceitar recibos de leitura. Uma definição discreta no Gmail corta a maior parte deste rastreio em segundos.

Como impedir que saibam quando abres emails no Gmail
Imagem ilustrativa | Pixel Magazine

Não são só empresas e campanhas de marketing que conseguem saber quando abres um email. Qualquer pessoa com a ferramenta certa pode ver quando leste a mensagem, quantas vezes voltaste a abri-la e até que links clicaste. E tudo isto sem pedidos de recibo de leitura a aparecer no ecrã.

O truque está nas imagens remotas. A maior parte dos sistemas de rastreio de email funciona com um píxel invisível, uma imagem minúscula alojada num servidor. Sempre que o teu cliente de email descarrega essa imagem, o remetente fica a saber que abriste a mensagem, a hora, o IP aproximado e por aí fora. Não é magia, é um pedido de imagem como outro qualquer, só que carregado de metadados.

Ferramentas como o cliente de email open source Mailspring, citado pelo How-To Geek, transformam isto num painel bonito. Mostram notificações em tempo real sempre que alguém abre o teu email, gráficos de envolvimento, cliques em links e estatísticas de resposta. O lado técnico é banal, o problema é a assimetria: quem lê raramente percebe que está a ser observado.

É aqui que o Gmail entra. A boa notícia é que o serviço da Google já bloqueia muita coisa por defeito. Em contas pessoais, o Gmail guarda cópias em cache das imagens num servidor da própria Google e, na prática, esconde o teu IP real da maior parte destes sistemas de tracking. Ainda assim, continua a carregar as imagens de forma automática, o que permite ao remetente saber pelo menos que a mensagem foi aberta.

Se quiseres cortar esta confirmação silenciosa, tens de mudar uma definição. No Gmail na web, abre as Definições, entra em “Ver todas as definições” e, na aba “Geral”, procura a opção das imagens. Em vez de deixares o padrão que diz que o Gmail mostra sempre as imagens externas, escolhe a alternativa que te pede para mostrar as imagens caso a caso. A partir daqui, cada email com imagens remotas passa a exigir um clique teu para carregar, o que bloqueia o rastreio por píxel invisível até tomares essa decisão.

Convém ter em conta o trade-off. Alguns boletins legítimos e emails transacionais ficam mais feios ou menos legíveis sem imagens, e vais acrescentar um clique a muita mensagem que na verdade não te quer espiar. Mas se te preocupa a forma como o email foi transformado numa espécie de rede social silenciosa cheia de métricas de envolvimento, vale a pena dar prioridade à privacidade. Para quem usa o Gmail com regularidade, faz sentido combinar esta alteração com outras afinações de segurança e publicidade, como as que já explicámos em quatro definições no Gmail que vale a pena mudar já.

Esta mudança não é um escudo absoluto. Se clicares num link único enviado num email, esse clique continua a ser rastreável pelo remetente, tal como acontece no browser ou nas redes sociais. E em contexto empresarial, alguns administradores podem impor políticas diferentes, incluindo sistemas oficiais de recibos de leitura. Mesmo assim, ao recusares o carregamento automático de imagens remotas ganhas uma camada de opacidade que, na prática, tira grande parte da graça às dashboards de tracking que proliferam por aí.

O email foi desenhado sem qualquer noção de leitura privada. Hoje vive num mundo em que tudo quer métricas. Usar as definições do Gmail para forçar o sistema a tratar as tuas aberturas de mensagens como um assunto teu é um daqueles ajustes que não resolvem a internet, mas lembram quem está do outro lado que a tua caixa de entrada não é um laboratório de marketing.

Fonte: How-To Geek

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