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iPhone Duo revisto: dobrável caro que quer ser mini iPad

O primeiro iPhone dobrável impressiona na engenharia e como mini tablet, mas tropeça no uso diário como telefone e custa perto de 2.000€. A geração zero da Apple está longe de ser escolha óbvia.

iPhone Duo revisto: dobrável caro que quer ser mini iPad
Imagem ilustrativa | Pixel Magazine

O primeiro iPhone dobrável da Apple já está nas mãos dos críticos e o veredito está longe de ser unânime. O iPhone Duo é um feito de engenharia, sem o vinco grotesco que ainda se vê na maioria dos dobráveis Android, mas como telefone do dia a dia parece mais um compromisso caro do que uma evolução clara.

Na análise publicada pelo Ars Technica, o jornalista que testou o Duo resume bem o dilema: respeita o esforço técnico da Apple, mas não tem a certeza de que goste mesmo do produto. O Duo estreia um formato tipo livro com dois ecrãs que mudam a forma como se interage com o iOS e traz uma série de pequenas fricções que contrastam com a maturidade dos iPhone 17 e iPhone 18 Pro. A isto junta-se um preço base de 1.999 dólares, que em conversão direta anda à volta dos ~1.840€, provavelmente mais do que isso quando chegar à Europa.

Fechado, o Duo fica mais compacto do que um iPhone tradicional, mas com um ecrã externo mais baixo e largo. À primeira vista é familiar, com moldura em titânio ao estilo do iPhone Air e um recorte para câmara frontal e Dynamic Island. Só que aqui há uma ausência que pesa: não há Face ID. A Apple regressa ao Touch ID no botão de energia, ao estilo dos iPad recentes, o que muda anos de hábito a desbloquear o iPhone apenas olhando para o ecrã.

Esse botão com sensor de impressão digital está no canto superior direito quando o telefone está fechado. Quando se abre o Duo na horizontal, a orientação roda automaticamente e o sistema passa a comportar-se como um iPad, indiferente a estar em modo retrato ou paisagem. O problema é a transição entre estes modos. Quem testou o aparelho descreve um par de dias de aprendizagem até deixar de o tirar do bolso ao contrário, com a câmara virada para baixo e o botão de bloqueio fora do sítio esperado. Para um iPhone, essa curva de aprendizagem é um sinal de que o formato ainda não está bem afinado.

Visualmente, o Duo é quase todo ecrã. Dos quatro quadrantes do corpo, só o lado do módulo de câmara foge ao vidro interativo. A Apple usa aqui Ceramic Shield, a mesma proteção dos modelos recentes, enquanto o ecrã externo tem o toque de vidro clássico dos iPhone. No interior, o painel dobrável é onde a Apple parece estar mais à frente da concorrência: o vinco é descrito como tão discreto que raramente se nota em uso real, uma diferença clara em relação a muitos dobráveis Android cuja dobra continua saliente, com bolhas e sinais de delaminação.

Aberto, o Duo aproxima-se mais de um mini iPad do que de um telefone esticado. Para consumir vídeo, ler e usar várias apps lado a lado, a fórmula convence mais. A Apple mexeu no software para tirar partido da área adicional, com uma lógica mais próxima do iPadOS do que do iOS clássico. Não é por acaso que muitos tinham lido o iPhone Air como meio passo para este formato. Mas como já se tinha escrito nos primeiros guias sobre o modelo, entre eles o resumo em o que tens de saber antes de o comprar, a questão continua a ser a mesma: quantas pessoas precisam mesmo de um iPhone que tenta ser iPad, em vez de um iPhone bom e um iPad mini afinado?

É no modo telefone que o Duo parece menos convincente. A relação de aspeto do ecrã externo faz com que tudo pareça mais apertado e baixo, desde a escrita de mensagens à navegação em sites. Quem testou o aparelho considera o Duo mais “atarracado” e menos confortável do que um iPhone 17 Pro em tarefas rápidas de bolso, aquelas em que os milissegundos de fricção somam ao fim do dia. A ausência de Face ID reforça essa sensação de regresso ao passado, por muito competente que o Touch ID lateral seja.

Outro ponto que fica nas entrelinhas é a robustez. Já houve relatos de problemas na zona da dobradiça, como o caso dos primeiros iPhone Duo com ecrã rachado, e um dobrável de ~2.000€ não tem margem para este tipo de ruído. Segundo o Ars Technica, a Apple continua a acertar na qualidade de construção e o Duo passa uma boa sensação na mão, mas isso é o mínimo exigível neste segmento de preço. O que não está resolvido é a matemática do valor.

No fundo, o Duo estreia uma nova categoria interna na linha iPhone, com todas as dores de crescimento que isso traz. É sólido, avançado e, em modo tablet, bastante competente. Mas como telefone, que é o que a maioria das pessoas continua a precisar, há poucos argumentos a favor face a um iPhone normal que custa centenas de euros a menos. A história recente da Apple mostra que as primeiras gerações servem muitas vezes para testar terreno. Quem tem de pagar por elas é que precisa de decidir se quer ser parte da experiência ou esperar pela versão que chega já afinada.

Fonte: Ars Technica

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