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Split tunneling no VPN: o truque que te poupa velocidade e chatices

Permite escolher que apps passam pelo túnel encriptado e quais ficam diretas à internet. Garante a proteção onde interessa sem sacrificar jogos, streaming ou gadgets em rede.

Split tunneling no VPN: o truque que te poupa velocidade e chatices
Imagem ilustrativa | Pixel Magazine

Se ligas sempre o VPN e desligas quando algo quebra, estás a usar a ferramenta à bruta. O split tunneling existe precisamente para evitar isso: deixa-te decidir o que passa pelo túnel encriptado do VPN e o que segue direto para a internet.

Um VPN cria uma espécie de ponte segura para todo o tráfego entre o teu dispositivo e a internet. É ótimo para esconder o que fazes do teu fornecedor de internet, de redes Wi-Fi públicas e de quem anda a espiar pacotes. Mas há custos: mais latência, menos velocidade e, muitas vezes, problemas de acesso a serviços locais e a outros dispositivos da tua rede.

É aqui que entra o split tunneling. Em vez de ligares ou desligares o VPN para tudo, decides app a app ou site a site. Por exemplo: banca online sempre dentro do VPN, mas jogos ou streaming mais pesados fora, para cortar lag. Ou o inverso: deixas o browser dentro do túnel e tiras dali as apps que precisam de ver a tua localização verdadeira, como apps de bilhetes de cinema ou sites de agendas culturais locais.

Na prática, a forma mais comum de split tunneling é por app. Em muitos clientes de VPN para desktop escolhes uma lista de programas que têm de usar o túnel ou, ao contrário, uma lista de apps que ficam explicitamente de fora. Quer isto dizer que podes proteger o que realmente importa, como clientes de email de trabalho ou apps de mensagens mais sensíveis, sem meteres tudo na mesma fila lenta.

Alguns serviços oferecem também split tunneling por URL ou domínio. A lógica é igual, mas aplicada a sites: podes manter o VPN ativo para motores de busca e serviços onde escreves dados pessoais, e deixá-lo de lado em sites de notícias locais ou páginas que só funcionam bem com IP nacional direto. Existem ainda variantes mais técnicas, como o split por IP ou por políticas globais, mas essas aparecem sobretudo em contextos empresariais com vários utilizadores, não nos clientes básicos de consumo.

O detalhe importante é que nada disto é magia obscura. É uma opção de encaminhamento de tráfego que muitos utilizadores ignoram e que podia poupar-lhes muita frustração. Basta lembrar que o VPN não tem de ser binário, ligado ou desligado. Pode ser seletivo.

Na maioria dos serviços de VPN atuais, o split tunneling vive nas definições, ao lado de funções como o kill switch ou o port forwarding. Em clientes para Windows, por exemplo, é comum encontrares logo uma secção chamada Split tunneling no painel principal de opções. A partir daí costumas ver duas abordagens: definir a lista de apps que são obrigadas a passar pelo VPN, deixando o resto fora, ou o inverso, listar apenas as que queres excluir do túnel, mantendo todas as outras protegidas.

Em telemóveis, a lógica é a mesma, mas a execução muda. Em Android, muitas apps de VPN dão-te praticamente a mesma liberdade que no desktop, com listas de apps a incluir ou excluir. No iPhone é mais limitado, por causa das próprias regras do iOS para ligações de rede: é frequente só poderes definir exceções por sites ou IPs, e não por app. Ainda assim, continua a ser melhor do que andares a desligar o VPN de cada vez que uma app mais esquisita recusa ligar com o túnel ativo.

Outro problema comum é quando o VPN corta o acesso a equipamentos da tua rede, como impressoras, NAS ou gadgets de casa inteligente. O split tunneling resolve grande parte disso. Deixas o acesso à rede local fora do túnel e manténs apenas o tráfego para a internet a passar pelo VPN. É um equilíbrio mais sensato do que abdicar da encriptação só para conseguires mandar imprimir um PDF.

Claro que há riscos se exagerares nas exceções. Quanto mais coisas deixares fora do túnel, menor a proteção global. O truque é seres honesto sobre o que precisa mesmo de anonimato e encriptação e o que é apenas tráfego banal onde a velocidade manda mais. Para quem usa Windows 11 e anda às voltas com bugs recentes ligados a VPN, como os que já foram descritos nalgumas falhas de atualização do sistema, o split tunneling é quase obrigatório para evitar quebras de ligação constantes.

Vale ainda lembrar o óbvio que muitos serviços escondem nos asteriscos: nem todos os planos incluem split tunneling e alguns só o dão nos níveis pagos. Se é uma função que te interessa, convém verificar antes de assinar, em vez de descobrires depois que ficas preso ao modo tudo-ou-nada.

No fim, o split tunneling é uma daquelas opções que se mexe uma vez e se esquece. Perde-se um par de minutos a decidir o que merece o túnel e o que pode ir direto e depois só te lembras disso quando te cruzas com quem ainda vive a marcar on e off no botão gigante do VPN. A diferença em conforto e sanidade compensa largamente o esforço inicial.

Fonte: Wired

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