Lançar um topo de gama por ano já é discutível, fazer dois em seis meses roça o absurdo. A Oppo decidiu fazê-lo mesmo assim, com o Find X10 Pro Max a chegar pouco depois do Find X9 Ultra, e quem testou o novo modelo para o CNET ficou dividido: o telemóvel é ótimo, a estratégia é que não.
De acordo com o CNET, o Find X10 Pro Max estreia a nova vaga de Android da marca com um pacote de luxo: novo processador MediaTek Dimensity 9600 Pro, sensores de câmara atualizados e um sistema fotográfico Hasselblad que continua no território “monstruoso”. A Oppo mantém a ideia pouco comum de usar uma teleobjetiva destacável para zoom longo, algo que já tinha aparecido no X9 Ultra.
O problema não é o hardware. Quem testou o X10 Pro Max diz que tudo grita “flagship”: desempenho folgado, câmara versátil e um design em vidro e metal que parece tão premium como qualquer Galaxy ou iPhone do mercado. A dúvida é outra: por que razão existe este modelo tão cedo depois do X9 Ultra, que já tinha recebido elogios semelhantes há meia dúzia de meses.
Nas contas do CNET, a distância entre os dois telefones é curta. Entre o Find X9 Pro lançado em outubro passado e este X10 Pro Max, nota-se um salto claro. Mas entre o Find X9 Ultra e o X10 Pro Max a distinção esbate-se. Ambos têm sistemas de câmara de 200 megapixéis no módulo principal e na teleobjetiva, ambos usam teleobjetiva destacável e ambos produzem fotografias excelentes. Neste momento, quem fez os testes não arrisca dizer qual tira melhores fotos.
O X10 Pro Max tenta justificar-se com pormenores técnicos: a câmara principal usa um sensor Samsung Isocell HPC com tecnologia DeepPix, pensado para melhorar detalhe e ruído em cenários difíceis. A câmara ultragrande angular também sobe para 200 megapixéis, o que em teoria dá mais margem para recorte sem perder qualidade. São avanços reais, mas subtis, num contexto em que o X9 Ultra já era forte ao ponto de tornar o upgrade discutível para quem acabou de gastar uma pequena fortuna.
A tudo isto junta-se o preço. No Reino Unido, o X10 Pro Max arranca nas 1.499£, cerca de 1.755€ ao câmbio atual. É praticamente o mesmo patamar do X9 Ultra. A Oppo oferece um extra “grátis” à escolha: ou a própria teleobjetiva destacável ou um smartwatch da marca. É um mimo simpático, mas não muda o essencial: estamos a falar de dois telefones caríssimos, quase gémeos em ambição, separados por meio ano.
Para quem vive nos EUA, a discussão é académica. A Oppo continua sem vender oficialmente por lá, por isso nem X9 Ultra nem X10 Pro Max entram nas prateleiras. Na Europa e noutros mercados, a questão é séria: se já tens um topo Oppo recente, este ciclo acelerado de lançamentos encurta ainda mais a vida útil psicológica do teu telemóvel e empurra o consumo para um ritmo que começa a roçar o absurdo ambiental.
O CNET já tinha criticado a mania de lançar flagships todos os anos e o caso da Oppo mostra porquê. Quando dois modelos separados por seis meses partilham tanto hardware, design e preço, o novo deixa de ser uma resposta a necessidades reais e passa a ser sobretudo ruído no mercado. O Find X10 Pro Max parece ser um excelente telefone, mas o facto de gerar mais confusão do que desejo diz muito sobre a fadiga de novidades em que a indústria Android anda presa.
Fonte: CNET
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