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Como ter Ethernet em (quase) todas as divisões sem obras nem rombos

Uma jornalista do How-To Geek espalhou ligações de rede pela casa inteira com um único cabo, um switch barato e algum planeamento. A abordagem não é perfeita, mas mostra que muitos problemas de Wi‑Fi resolvem‑se com fio e não com mais gadgets caros.

Como ter Ethernet em (quase) todas as divisões sem obras nem rombos
Imagem ilustrativa | Pixel Magazine

Meter Ethernet em todas as divisões costuma significar pó, roços nas paredes e orçamentos que passam rápido os 1.000€. No artigo do How-To Geek, a jornalista Monica J. White resolveu o problema por outro lado: um único cabo bem colocado, um pequeno switch e alguma ginástica de layout foram suficientes para tirar metade da casa de cima do Wi‑Fi por menos de ~45€.

O ponto de partida não é estranho a quem vive em prédios antigos ou em zonas com operadores pouco confiáveis: o Wi‑Fi falha, os routers dos ISP são fracos e a ligação cai precisamente quando há chamadas de trabalho ou jogos online. Em vez de aceitar o drama ou investir logo em routers topo de gama, a autora decidiu que queria ligações com fio nas divisões críticas, mas sem transformar o apartamento num estaleiro de obras.

Segundo o How-To Geek, a solução passou por assumir que não ia haver tomada de rede em cada canto. O que havia era uma rota possível para um cabo Ethernet longo desde o router principal até uma zona central da casa, escondido pelo rodapé, debaixo de carpetes e mobiliário. Nessa ponta, um switch Ethernet simples multiplica essa única linha em várias portas RJ45, capazes de alimentar PCs, consolas, TV e o que mais interessar.

O hardware escolhido foi propositadamente básico: um switch “unmanaged” gigabit, daqueles em metal ou plástico que só precisas de ligar e esquecer, e um cabo suficientemente comprido para fazer o percurso completo até à zona escolhida. Não há VLANs, QoS sofisticado nem nada que exija interface web. Ligas um cabo do router ao switch, distribuis o resto das portas pelos equipamentos que importam e ficas com rede estável em pontos que antes dependiam de Wi‑Fi instável.

Isto tem limites óbvios. Não é o mesmo que uma cablagem estruturada com tomadas em cada divisão, não resolve problemas de má cobertura em sítios onde não tens como passar o cabo, e continua a depender de um router decente. Para casas grandes, continua a fazer sentido olhar para mesh Wi‑Fi ou para opções mais avançadas como MLO em routers Wi‑Fi 7, algo que explicámos no guia sobre MLO no router Wi‑Fi 7.

Mesmo assim, a abordagem descrita no How-To Geek é um choque de realidade para quem acha que a solução passa sempre por comprar mais um repetidor. Em muitos apartamentos em Portugal, um cabo de 20 ou 30 metros e um switch de oito portas resolvem logo teletrabalho, consola e TV da sala, enquanto a Wi‑Fi fica para telemóveis e tablets. Em contexto de casa inteligente, dividir assim a carga também ajuda a que sensores e tomadas não entrem em pânico sempre que alguém começa um download pesado, como já discutimos no artigo sobre como preparar a casa inteligente para falhas de internet.

O detalhe que falta em demasiadas casas é esta noção de compromisso. Ouve‑se muito falar de gigabits e de routers com antenas a mais, mas pouco da solução chata, barata e eficaz que é puxar um cabo e pendurar um pequeno switch numa prateleira. Não é bonito, não rende fotos para Instagram, mas resolve problemas reais. Quem prefere estabilidade a marketing devia começar por aqui e só depois pensar em gastar a sério em redes “inteligentes”.

Fonte: How-To Geek

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