Fitbit Air não é estanque, mas aguenta bem uns mergulhos
O Google Fitbit Air traz IP68 e 5 ATM, chega para piscina e chuva, mas está longe de ser indestrutível. Convém perceber onde acaba a resistência à água e começa o risco de avaria.
O Google Fitbit Air traz IP68 e 5 ATM, chega para piscina e chuva, mas está longe de ser indestrutível. Convém perceber onde acaba a resistência à água e começa o risco de avaria.
Se compraste um Google Fitbit Air a pensar que aguentava tudo dentro de água, vale a pena corrigir expectativas. O tracker de fitness da Google não é à prova de água. É apenas resistente à água. Segundo o Engadget, isso não impede nados leves, mas obriga a algum juízo antes de o levares para todo o lado preso ao pulso.
O Fitbit Air é um dos wearables mais comentados do ano, muito por culpa do formato discreto, da bateria para uma semana e do facto de não empurrar imediatamente para uma subscrição paga. A Google posicionou-o como porta de entrada para o seu braço de saúde e IA, com um dispositivo leve que quase desaparece no pulso. Mas a ficha técnica é clara: estamos a falar de resistência, não de estanqueidade total.
Convém separar os termos. “À prova de água” implicaria um dispositivo imune à água, em profundidade e tempo praticamente ilimitados. Na prática, quase nenhum wearable cumpre isso, e marcas como Apple e Samsung evitam a palavra por motivos legais. “Resistente à água” é a formulação honesta: o aparelho aguenta chuva, suor, salpicos e até imersão, mas dentro de limites. No caso do Fitbit Air, esses limites traduzem-se em duas classificações: um rating IP68 para poeiras e água que permite imersão contínua de mais de 1 metro até cerca de uma hora, e um rating de 5 ATM que, em teoria, equivale a pressão até 50 metros de profundidade.
Na vida real isto quer dizer o seguinte: piscina pouco profunda, umas braçadas e treinos de natação recreativos são aceitáveis. Mergulhos a sério, apneia prolongada, desportos aquáticos de impacto ou ficar horas na água já é outra conversa. E há riscos que nem têm a ver com a pressão. A Google desaconselha usar o Fitbit Air em banhos quentes, jacuzzis, saunas ou duches. O calor e as mudanças bruscas de temperatura degradam juntas e adesivos, o que a médio prazo mata a resistência à água. O detergente do banho e o champô também não ajudam, tal como perfumes, loções e repelentes, que vão corroendo selagens ao longo do tempo.
Há ainda a parte menos glamorosa: higiene e pele. Se o Fitbit fica molhado, faz sentido secar a bracelete e a zona de contacto com a pele, tanto para evitar irritações e bactérias, como para manter o hardware em bom estado. E sim, choques contam: um tracker que cai ao chão ou bate com força numa borda de piscina pode ficar minimamente empenado ou com microfissuras, suficientes para abrir caminho à água sem dar aviso. Não é coincidência que tanta gente descubra a “falta” de resistência só depois de uma queda aparatosa.
Para quem anda a seguir de perto a linha da Google, o quadro também ajuda a perceber a estratégia: o Air é um wearable acessível e leve, não um relógio de mergulho. Modelos seguintes como o Fitbit Edge, que a própria Google já confirmou, prometem corrigir parte das fragilidades apontadas nas reviews do Air, mas a magia do marketing nunca vai mudar uma verdade simples: se um gadget disser apenas que é resistente à água, trata-o como tal. Se o transformares em substituto de relógio de mergulho, a conta da reparação tende a chegar mais depressa do que os dados de saúde.
Fonte: Engadget
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