A Valve lançou uma nova versão estável do cliente Steam com uma mensagem clara para quem joga em Linux: isto não é só um port de conveniência. Segundo o 9to5Linux, a atualização de 13 de outubro mexe em dois lados ao mesmo tempo, qualidade de vida no desktop e afinação do modo Big Picture que hoje vive em PCs, Steam Deck e televisões.
No Linux, o cliente passa a mostrar sempre o menu “Select compatibility tool”, o que simplifica a escolha de variantes de Proton, como o “Proton Stable”. As caixas de diálogo de compatibilidade SteamOS também passam a aparecer na interface de desktop quando tentas instalar jogos não verificados para aquele hardware. E quando estás em modo desktop, o Steam avisa com o diálogo de “não suportado” se tentares instalar títulos que se sabe à partida que não funcionam com Proton. É a Valve a assumir que prefere um aviso duro a mais um pedido de reembolso.
Há também mudanças práticas por baixo do capot. Binários de Windows registados como jogos não-Steam passam a arrancar em Proton por defeito, o que reduz o número de “hacks” manuais para meter launchers e jogos externos a correr. As velocidades de download foram melhoradas em ligações com muita latência e a recolha de informação para o inquérito de hardware da Steam passa a privilegiar o ficheiro /etc/os-release, o que deve dar estatísticas mais fiáveis sobre distribuições. Para quem anda a experimentar distros novas, de Ubuntu a Zorin ou Mint, isto ajuda a que a fotografia do Linux no Steam seja menos enviesada.
Nos detalhes de fiabilidade, a lista é longa: correções para jogos não-Steam que se recusavam a arrancar depois de mudares o executável alvo, um bug no ecrã de “Reorder controller” que por vezes não trocava os comandos, ou casos em que o botão “Stop” falhava se o jogo tivesse sido lançado por uma ferramenta externa. Foi também resolvido um problema em que gamepads virtuais eram desligados temporariamente quando um jogo chamava a API ISteamUtils::SetGameLauncherMode, o que era desastroso para títulos sem suporte decente a hotplug de comandos.
O Big Picture ganha um novo screensaver com suporte para temas personalizados e um “Big Art Mode” para destacar arte dos jogos no ecrã inicial, além de um calendário pessoal na aba de recomendações. A sobreposição in-game melhora o gráfico de FPS do monitor de desempenho em diferentes escalas de texto e tem melhor suporte para jogos Vulkan. No Remote Play, há um novo codec experimental, Pyrowave, pensado para streaming de vídeo de alta largura de banda e baixa latência, melhorias de cor e brilho, fallback automático para H.264 se o HEVC não estiver disponível, melhor captura Vulkan e um aviso quando um download remoto termina.
O Steam Input também leva uma revisão séria. Há uma nova vista no configurador para jogos com Steam Input API que lista ações e bindings, uma página de multi-binding para criar combinações de botões e suporte para invocar o teclado no ecrã a partir da sobreposição de desktop. Surgem ainda opções como inverter chord bindings, um modo Lizard no novo Steam Controller para lidar com janelas UAC em Windows, melhorias de desempenho de CPU e maior consistência na sensibilidade dos trackpads entre Steam Deck e Steam Controller. Segundo o 9to5Linux, o novo comando ganha ainda melhor emulação de rumble, tempos de ligação mais curtos, um segundo slot de emparelhamento BLE e níveis de intensidade configuráveis.
Em todas as plataformas, o cliente arranca mais depressa e as notificações de conquistas têm layout de texto revisto. Nada disto muda a forma como compras ou instalas jogos, mas melhora de forma acumulada a sensação de um PC de jogos menos temperamental. Para quem quiser ir ao detalhe fino, as notas completas desta atualização estão disponíveis nas release notes da Valve. É o tipo de atualização que quase passa despercebida, até ao dia em que voltas a um cliente antigo e percebes o quão áspero era.
Fonte: 9to5Linux
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