O iPhone 18 Pro já anda nos bolsos, mas é o iPhone Duo que concentra as atenções. O primeiro iPhone dobrável só chega às lojas a 23 de outubro, com pré-vendas uma semana antes, e a Apple vai aterrar num segmento onde quase todos os grandes já montaram tenda. Segundo o Engadget, Xiaomi, Oppo, Motorola e claro, Samsung, passaram os últimos anos a experimentar formatos que hoje se alinham perigosamente com a proposta da Apple.
A Xiaomi foi direta ao assunto com o Xiaomi 18 Fold, apresentado poucos dias antes do anúncio do Duo. No papel, é praticamente um espelho: ecrã interior de 7,6 polegadas, exterior de 5,4 polegadas e o mesmo formato de “passaporte”. A diferença aparece na balança e na traseira. O Xiaomi pesa 219 gramas, bem abaixo dos 254 gramas do Duo, e oferece três câmaras com mais alcance de zoom ótico. O preço também é menos simpático para a Apple: começa nos 10.999 yuan, cerca de 1.640$, o que ronda os ~1.510€, ainda que, para já, fique limitado ao mercado chinês.
Nos EUA, quem entra direto em choque com o iPhone Duo é o Galaxy Z Fold8. De acordo com o Engadget, a Samsung abandonou o formato quase quadrado das gerações anteriores e foi atrás do mesmo estilo “passaporte”, com ecrãs de 7,6 e 5,5 polegadas. O desenho é mais reto, sem cantos arredondados, e mantém um sistema de duas câmaras traseiras, tal como a Apple. A review da publicação deu-lhe 8,9 em 10 e elogiou-o como melhor máquina para ver filmes e séries do que o Z Fold8 Ultra, mais caro e ainda com formato antigo. O problema para Cupertino é simples de explicar: o Z Fold8 começa nos 1.900$, apenas $100 abaixo do iPhone Duo. Numa Europa onde os dobráveis já são caros, pagar mais para ter a versão Apple deixa de ser decisão técnica e passa a ser escolha de clube.
Oppo e Motorola atacam por outro flanco: bateria e carregamento. O Oppo Find N6 mantém o formato dobrável mais clássico, ao estilo Z Fold8 Ultra, com ecrã exterior de 6,62 polegadas e interior de 8,12 polegadas. O destaque é a espessura, só 8,93 mm fechado, muito perto dos 8,75 mm do iPhone 18 Pro. O Duo passa para 11,3 mm, um tijolo em comparação. Depois há a bateria: 6.000 mAh, mais 1.600 mAh do que o Z Fold7, com carregamento rápido de 80 W, certificação IP59 e uma câmara principal de 200 megapíxeis. O modelo é pensado para a Ásia, mas existe versão “global” não oficialmente vendida nos EUA, e arranca nos 9.999 yuan, cerca de $1.490 ou ~1.370€.
O Motorola Razr Fold segue uma receita parecida: design dobrável mais tradicional, ecrã externo de 6,6 polegadas que abre para um painel interior de 8,1 polegadas com brilho máximo de 6.000 nits, o dobro dos 3.000 nits do iPhone Duo. Junta-lhe também bateria de 6.000 mAh, carregamento a 80 W e três câmaras com zoom ótico, mais suporte para caneta no ecrã interno, vendida em separado por 100$. O preço base é o mesmo do Z Fold8, 1.900$, o que deixa a Apple a pedir mais dinheiro por um hardware que, em quase todos estes comparativos brutos, fica atrás em números.
Onde é que o iPhone Duo tenta recuperar terreno? No software. O Engadget lembra que muitas das apostas da Apple estão no iOS 27, com otimizações dedicadas ao formato dobrável, animações específicas para a troca entre ecrãs e modos de utilização que exploram melhor a dobradiça. É a velha estratégia da marca: integrar hardware competente com software afinado e prender o utilizador ao conjunto, não à ficha técnica isolada. Para quem já vive no mundo iCloud, iMessage e companhia, o Duo será a forma “natural” de entrar nos dobráveis. Para o resto do mercado, sobretudo para quem olha a cada euro de diferença, a mensagem é menos romântica: o primeiro iPhone dobrável chega tarde, chega mais caro e não chega a liderar nos números que cabem numa tabela.
Fonte: Engadget
Comentários · 0