Se tens uma impressora mais antiga a funcionar à custa de um driver do fabricante, o Windows 11 começa a olhar para ela de lado. De acordo com o MakeUseOf, a Microsoft está a seguir o plano que publicou no seu próprio roadmap de fim de suporte a drivers de terceiros: passar a dar prioridade ao driver IPP incluído no sistema e afastar-se, aos poucos, dos drivers tradicionais V3 e V4.
A mudança não é teórica, já começou a 1 de julho de 2026, quando o ranking de drivers do Windows passou a favorecer sempre o driver IPP interno sempre que a impressora é compatível. Em cima disto está o Windows Ready Print, uma abordagem em que o sistema instala a impressora sem precisares de descarregar o pacote do fabricante ou passar por assistentes de instalação duvidosos. Menos fricção para o utilizador, mais controlo centralizado para a Microsoft.
O truque do Windows Ready Print é combinar IPP, o protocolo de impressão em rede que o Windows também usa sobre USB, com a certificação Mopria, uma espécie de selo que diz ao PC que aquela impressora fala a tal língua comum e aceita impressão sem drivers específicos. Nas contas do MakeUseOf, qualquer impressora lançada a partir de meados da década de 2010 tem boa probabilidade de já ser Mopria e, portanto, de sobreviver sem drama ao novo modelo.
O problema é tudo o que ficou para trás. Impressoras sem IPP ou Mopria continuam a depender de drivers do fabricante. E muitas multifunções vivem de software próprio para digitalizar, gerir cor ou controlar opções avançadas que o driver universal da Microsoft pura e simplesmente ignora. Do lado da Microsoft, a justificação é previsível: cada driver externo é mais código no sistema, mais superfície de ataque. O episódio PrintNightmare foi o lembrete público de quão grave pode ser uma falha no serviço de spooler de impressão, com execução remota de código à mistura. A resposta da empresa é cortar variáveis: menos drivers diferentes, menos pontos fracos difíceis de auditar.
Na prática, por agora, continua a ser uma questão de compatibilidade com novidades e não um corte imediato. O driver antigo que já lá está instalado não desaparece de um dia para o outro. Mas há outra peça no tabuleiro: o Windows Protected Print Mode. Segundo o MakeUseOf, quando este modo de impressão protegida passar a ser o padrão, num futuro ainda sem data, deixarás de conseguir instalar drivers de terceiros ou usar impressoras que não suportem IPP e Mopria enquanto o modo estiver ligado.
O tal “workaround” existe, mas é pouco amigável para quem não gosta de mexer em definições: entrar em Definições, ir a Bluetooth e dispositivos, Impressoras, e desativar manualmente o Protected Print Mode. Em casa, quem percebe do assunto vai fazê-lo em dois cliques. Em empresas e organismos públicos, onde as impressoras antigas vivem décadas, isso implica pedir a um administrador que enfraqueça uma camada de segurança para manter vivo hardware que já devia ter sido substituído. A mensagem da Microsoft é clara, mesmo que não o diga assim: podes manter a impressora velha, mas o caminho oficial passa por comprar uma nova.
Fonte: MakeUseOf
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