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Quatro formas como o Windows estraga o teu dual-boot com Linux

Do bootloader à hibernação, o Windows 11 continua a tratar o Linux como um intruso. Estas são as manobras mais chatas e o que podes fazer para as travar.

Quatro formas como o Windows estraga o teu dual-boot com Linux
Imagem ilustrativa | Pixel Magazine

Quem tem Windows e Linux em dual-boot conhece o padrão: fazes tudo bem, repartes o disco, instalas a distro de eleição, configuras o GRUB, respiras fundo. Passado um update do Windows, o PC arranca direto para o sistema da Microsoft como se o Linux tivesse desaparecido. Segundo o How-To Geek, isto não é azar, é consequência direta de várias decisões de design do Windows 11 que tornam a vida ao Linux desnecessariamente difícil.

A primeira é a mais clássica: atualizações de grande porte do Windows voltam a escrever o bootloader EFI e empurram o gestor de arranque do Linux para segundo plano ou apagam-no da ordem de arranque. Na prática, o PC deixa de mostrar o menu do GRUB e finge que só existe Windows. Dá para recuperar, claro, mas obriga a arrancar por USB, reinstalar o bootloader e voltar a mexer na BIOS/UEFI. Para quem já tinha tudo afinado, é tempo perdido só porque o Windows assume que é o único dono da máquina.

Outro ponto que o How-To Geek destaca é o Secure Boot. A ideia de validar assinaturas de arranque faz sentido contra malware, mas entre certificados que expiraram e implementações caóticas dos fabricantes, o resultado é previsível: distribuições Linux que deixam de arrancar de um dia para o outro ou instaleiros que falham sem explicação amigável. O artigo lembra que parte da culpa está em certificados de arranque que começaram a expirar este ano e que alguns PCs com Windows 10 nunca vão receber a correção. Do lado de Linux, há distros que já lidam relativamente bem com Secure Boot, mas a mensagem é simples: se queres menos dores de cabeça em dual-boot, entra na BIOS e desliga-o.

Depois há a moda do encriptação em todo o lado. O BitLocker profissional é uma coisa, a encriptação “por defeito” em portáteis de consumo é outra. Quando o Windows resolve cifrar o disco inteiro sem o utilizador perceber bem o que se passou, monta uma barreira real para o Linux: partições NTFS encriptadas são invisíveis ou, no melhor dos casos, dão trabalho a montar com ferramentas adicionais. A questão aqui não é segurança ser má, é o Windows esconder complexidade e só te lembrar que ela existe quando o outro sistema operativo deixa de ver o disco.

O How-To Geek aponta ainda para um detalhe que muitos ignoram: as opções de energia do Windows. O modo de “arranque rápido” e a hibernação escrevem o estado do sistema para o disco e deixam partições NTFS num limbo, nem bem desmontadas, nem propriamente ativas. Se depois arrancas Linux e tentas montar essas partições, arriscas corromper dados porque os dois sistemas acham que mandam ali. A solução passa por desativar o Fast Startup, evitar a hibernação e forçar o desligar total. Não é intuitivo, mas é isto ou jogar à roleta com o disco partilhado.

No fundo, a leitura que fica do texto do How-To Geek é clara: o Windows continua desenhado como se partilhar a máquina com Linux fosse um cenário marginal, quase indesejado. A alternativa oficial da Microsoft chama-se WSL, que já permite correr contentores Linux dentro do Windows 11 e resolve muitos casos de uso sem dual-boot, como explicámos quando o WSL ganhou suporte oficial a contentores. Para quem insiste em ter dois sistemas lado a lado no mesmo disco, a realidade é menos simpática: é possível, funciona, mas vais passar parte da vida a desfazer decisões que o Windows tomou por ti.

Fonte: How-To Geek

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