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Cinco formas de pôr um velho Samsung a fazer de Raspberry Pi

Se o Raspberry Pi ficou caro ou impossível de encontrar, um Galaxy esquecido na gaveta pode chegar para muitos projetos. Não troca o espírito maker, mas evita mais uma compra de hardware.

Cinco formas de pôr um velho Samsung a fazer de Raspberry Pi
Imagem ilustrativa | Pixel Magazine

Se tens um velho Samsung encostado na gaveta e um Raspberry Pi inflacionado no carrinho de compras, talvez estejas a olhar para o hardware errado. Segundo o How-To Geek, há vários projetos clássicos de Raspberry Pi que hoje podes empurrar para um Galaxy com alguns anos em cima, desde que estejas disposto a mexer em Linux, apps de terminal e umas quantas definições de rede.

Um dos usos mais populares do Raspberry Pi é correr Pi-hole, o filtro de DNS que bloqueia publicidade e trackers para todos os dispositivos lá de casa. Em vez de comprares outro single-board para isso, um entusiasta mostrou ao How-To Geek que dá para usar um Galaxy S10+ com postmarketOS, uma distribuição Linux pensada para telemóveis. Com o telefone a servir de servidor sempre ligado e AdGuard Home instalado, consegues bloquear domínios de publicidade e tracking para toda a rede, de forma muito semelhante ao que se faz com Pi-hole num Pi tradicional.

No smart home a história repete-se. Durante anos o conselho-padrão foi “mete o Home Assistant num Raspberry Pi e segue viagem”. O próprio autor do How-To Geek conta que teve o Home Assistant a correr num Pi 3B+ durante anos, até os preços começarem a disparar. Hoje, há quem instale o Home Assistant num Samsung antigo usando Termux, uma app de terminal que permite correr pacotes em linha de comandos no Android. Com Termux e udocker, é possível arrancar o Home Assistant em modelos relativamente antigos, transformar o telefone no cérebro da casa e deixar o interface habitual para outro dispositivo.

Há limitações óbvias. O Android gosta de matar apps em segundo plano, atualizações podem partir o setup e um reboot automático fora de horas pode deixar-te com a casa menos inteligente do que gostavas. Mas se o telefone já estava parado, o risco é baixo, e a alternativa muitas vezes é gastar dezenas de euros num Pi que vai fazer exatamente o mesmo papel de servidor discreto num canto.

O How-To Geek fala ainda de outros cenários típicos de Raspberry Pi que um Samsung velho consegue atacar: controlar uma impressora 3D em rede com software ao estilo de OctoPrint, montar um pequeno servidor de ficheiros ou até recriar a consola retro de emulação que muitos usam com RetroPie. Em quase todos os casos, o truque é o mesmo, explorar o facto de aquele “telefone desatualizado” ainda ter CPU decente, RAM suficiente, Wi-Fi e armazenamento, mesmo que já não sirva para apps pesadas ou fotos decentes.

O ponto mais interessante não é tanto a lista de hacks específicos, é o que isto diz sobre o estado atual do hardware de consumo. O Raspberry Pi deixou de ser a pechincha óbvia, os telemóveis duram mais do que os ciclos de atualização das apps e o lixo eletrónico acumula-se. Se um Galaxy S8 encostado consegue bloquear anúncios, orquestrar o smart home e ainda gerir uma impressora 3D, talvez a próxima compra não precise de ser mais uma placa nova, mas sim um cabo USB e um pouco de tempo de bancada.

Fonte: How-To Geek

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