A Samsung decidiu mexer nos preços da gama Galaxy S26 muitos meses depois de os telemóveis chegarem às lojas. Segundo o The Next Web, os Galaxy S26, S26+ e S26 Ultra ficaram 100 dólares mais caros nos Estados Unidos e na Coreia do Sul, com o Ultra de 1 TB a subir 200 dólares. Em euros, falamos de aumentos na ordem dos ~90€ a ~180€, numa altura em que a inflação já tinha abrandado e o mercado de topo anda saturado.
Oficialmente, a culpa é da memória. A Samsung aponta a escassez de DRAM como razão para a subida, ao mesmo tempo que a própria divisão de semicondutores da empresa surfou esta crise e foi responsável por 94% do lucro da companhia no primeiro trimestre. A unidade mobile, essa, viu o lucro operacional cair cerca de 38%. Ou seja, a mesma Samsung que vende a memória mais cara ao mercado também tem de justificar ao acionista porque é que os seus telemóveis rendem menos. A decisão de rever preços ao fim de sete meses é o reflexo direto dessa tensão.
Com os novos valores, quem compra agora um S26 nos EUA passa a começar nos 1.000 dólares, o S26+ arranca nos 1.200 dólares e o S26 Ultra sobe para 1.400 dólares, enquanto o Ultra de 1 TB dispara para 2.000 dólares, como detalha a Bloomberg. O modelo mais acessível, o S26 FE, fica de fora desta rodada e mantém o preço de 700 dólares, depois de já ter chegado ao mercado 50 dólares acima do antecessor. Os dobráveis também escapam, o que deixa o Z Fold 8 nos 1.900 dólares, curiosamente abaixo do preço do próximo iPhone topo de gama da Apple que chega a 23 de outubro por 1.999 dólares nos EUA.
O contexto de fundo ajuda a perceber a manobra, mas não a torna simpática. Nos últimos doze meses, escreve o The Next Web, o preço da RAM disparou de 2,80 para 12 dólares por gigabyte, um aumento de seis vezes, com contratos trimestrais de memória móvel a rondar agora os 70 dólares por módulo de 12 GB. A Samsung quase multiplicou por 19 o seu lucro operacional no segundo trimestre à boleia destes contratos, o que mostra bem quem está a ganhar com a crise da memória. Para quem olha do lado de cá do balcão, a narrativa é menos glamorosa: pagas mais pelo mesmo telemóvel porque a fornecedora de memória decidiu que pode cobrar mais, e essa fornecedora é a própria marca que te vende o aparelho.
Na Europa o impacto direto ainda é mais discreto. O The Next Web lembra que o Galaxy S26 arrancou no Reino Unido a 879 libras, apenas cerca de 20 libras acima do S25, muito longe dos 100 dólares de salto nos EUA. Noutros produtos já se nota mais, como os novos tablets topo de gama da Samsung que chegam às lojas europeias por 1.299€. Mas, para já, não há qualquer anúncio de subida de preços dos S26 na Europa. Um site grego falou em aumentos entre 100€ e 200€ ainda em junho, mas essa informação não foi confirmada por outras fontes. Quem acompanha a marca em Portugal já tinha sinais de pressão de custos noutros lados, como se viu nas características e integrações da nova One UI 9 em vários Galaxy, mas mexer no preço de um topo de gama meio ano depois de lançado é outro patamar de agressividade.
O padrão na indústria está a ficar claro: Apple, Google e Samsung já aumentaram preços de gamas premium no espaço de um trimestre, quase sempre a apontar o dedo à memória. A consultora Omdia, citada pelo The Next Web, prevê que estes preços altos não desçam logo que a escassez alivie. O que distingue o caso da Samsung é o momento em que escolhe puxar pela etiqueta, quando o impulso inicial de vendas já passou e o S26 começa a enfrentar concorrência interna e externa, dos dobráveis aos futuros S27 que já se discutem em rumores. Em vez de usar a crise de memória para diferenciar os seus topos de gama, a marca limita-se a repassar a fatura. O problema é que o consumidor também aprende a fazer contas de cabeça, e começa a perguntar-se quanto daquela subida é mesmo silício, e quanto é puro conforto de margem.
Fonte: The Next Web
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