A Honor decidiu que quer ser levada a sério na fotografia móvel e escolheu uma aliada pouco óbvia: a Arri, nome pesado no cinema profissional. O primeiro resultado dessa parceria é o Magic 9 Pro Max, apresentado hoje na China, que combina um módulo de câmara inspirado nas Arriflex clássicas com uma bateria fora da curva para um flagship.
Segundo o The Verge, esta é a primeira grande linha de topo da Honor desde que a marca anunciou a sua colaboração com a Arri, e a influência vê‑se logo nas costas do telefone. O novo “plateau” de câmara recupera o conceito de torre de três lentes dos anos 30, com a lente principal rodeada por uma textura serrilhada que parece saída de uma objetiva de cinema. Mais do que nostalgia, é uma forma de a Honor dizer que quer falar a linguagem dos videógrafos.
A Arri não ficou só no design. A marca ajudou a afinar o modo de vídeo com suporte para Arri LogC3, 14 LUTs pré‑definidas e acesso à biblioteca mais alargada de perfis oficiais e de terceiros, além de gravação em codec APV 10‑bit 4:2:2. No hardware, o pacote inclui uma câmara principal de 200MP com sensor 1/1,28 polegadas, um telefoto 3,5x também com 200MP e sensor 1/1,4 polegadas, e uma ultragrande angular de 50MP, embora esta última não tire partido de todas as funções de Cinema Mode. Há ainda um microfone direcional “cinema‑grade” pensado para quem grava vlogs ou pequenos projectos só com o telemóvel.
Um detalhe curioso é a câmara frontal em formato quadrado, que pode gravar em paisagem ou retrato sem sacrificar enquadramento, uma ideia que faz lembrar o Center Stage da Apple. A Honor posiciona claramente este modelo para criadores de conteúdo que querem algo mais sério do que filtros de redes sociais, mas sem carregar uma câmara dedicada. O telefone também é compatível com as lentes teleconversoras G200 e G500 da marca e com um kit de vídeo SmallRig, numa abordagem parecida ao que outras marcas chinesas andam a fazer para transformar o telemóvel em corpo de câmara modular.
A opção de um módulo de câmara mais largo não é só estética. De acordo com o The Verge, a Honor explica que esta solução é mais eficiente em termos de espaço e abre lugar para uma bateria de 8.800mAh, com até 40% de conteúdo em silício. Em teoria, isto deve traduzir‑se numa autonomia que envergonha boa parte dos rivais premium, sobretudo quando muitos andam colados aos 5.000mAh. Depois de termos visto modelos como os Xiaomi 18 Pro com câmaras de 200MP e corpos cada vez mais finos, a ideia de usar a ilha da câmara como desculpa para encaixar mais bateria parece finalmente fazer sentido.
O cérebro do Magic 9 Pro Max é o Snapdragon 8 Elite Extreme Gen 6. Quem escreve no The Verge nota que o chip até suportaria vídeo 8K a 60fps e 4K a 240fps, mas a Honor não activou esses modos e justifica a escolha com a necessidade de oferecer “uma experiência flagship consistente”, em vez de perseguir recordes de especificações. Em bom português: aposta‑se em folga de desempenho e eficiência, mesmo que o marketing dos 8K fique na gaveta. A marca confirmou que haverá lançamento internacional, mas sem datas ou preços para a Europa. Se chegar competitivo, entra directamente na mesma liga dos Vivo e Xiaomi mais focados em vídeo, e aí a diferença pode estar menos nos megapixéis e mais em quanto tempo aguenta longe da tomada.
Fonte: The Verge
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