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O truque escondido do Google Maps que salva rotas a pé

Nas definições de acessibilidade do Google Maps há um comutador discreto que troca escadas e subidas por elevadores e rampas. Não é só para cadeiras de rodas, e muda mesmo a forma como se caminha pelas cidades.

O truque escondido do Google Maps que salva rotas a pé
Imagem ilustrativa | Pixel Magazine

Quem já seguiu uma rota a pé no Google Maps até dar de frente com uma escadaria infinita sabe que o problema não é a distância, é o desnível. Por defeito, a app trata qualquer pessoa como um atleta capaz de subir degraus carregado, empurrar um carrinho de bebé por rampas absurdas ou atravessar passeios cheios de obstáculos. O Android Police foi espreitar as opções de acessibilidade e encontrou um truque simples que praticamente elimina estes cenários.

A chave está numa definição enterrada na navegação a pé: a opção de percurso em cadeira de rodas. O nome afasta muita gente que não usa cadeira de rodas, mas o comportamento da app muda exactamente da forma que interessa a qualquer pessoa com mobilidade limitada, com crianças de carrinho ou simplesmente que prefere elevadores a escadas. Em vez de optimizar só para o tempo, o Maps passa a privilegiar elevadores, passeios acessíveis e inclinações mais suaves, mesmo que isso acrescente alguns minutos à rota.

O jornalista do Android Police descreve o processo sem mistério: escolher o destino, tocar no ícone de Caminhar, abrir o menu de Definições da rota e activar a opção “Acessível em cadeira de rodas”. A partir daí, deixam de aparecer aquelas rotas “geniais” que cortam por escadarias ou por túneis pouco práticos. É uma solução que não existe de forma tão directa noutras apps de navegação, e que liga bem com a forma como muitos já usam o Maps como planeador de viagens, criando listas personalizadas de locais e itinerários diários.

Segundo o Android Police, esta definição foi pensada primeiro para acessibilidade, mas é óbvio que o efeito é mais amplo. Pais com carrinhos, pessoas com malas de viagem pesadas, joelhos estragados ou simplesmente zero paciência para surpresas em plena calçada têm aqui uma espécie de “modo urbano civilizado”. Isto expõe também uma decisão de produto da Google: o modo a pé continua a ser o primo pobre da navegação, obcecado com o tempo total em vez do desconforto real da caminhada. Este comutador corrige parte dessa cegueira, mas continua escondido como se fosse um caso de uso raro.

A própria Google avisa que os dados de acessibilidade nem sempre estão correctos, porque dependem de actualizações locais e de contribuições dos utilizadores. A página oficial da empresa sobre informação de acessibilidade no Maps explica como é que estes detalhes são recolhidos, e deixa claro que podem falhar: um elevador avariado, uma rampa bloqueada, uma obra de última hora. Em cidades portuguesas com centros históricos apertados, escadas velhas e passeios irregulares, essa margem de erro é tudo menos teórica.

Ainda assim, entre seguir cegamente a rota “mais rápida” e perder dois minutos para evitar uma escadaria com malas na mão, a escolha é óbvia. Vale a pena ir às definições do Maps e tratar este modo acessível como o novo padrão para andar a pé. Se a Google fosse coerente com o discurso de inclusão, este comutador não estaria escondido num submenu. Estaria activo por defeito e cabia a quem quer cortar caminho pelas escadas dizer à app que está disposto a pagar esse preço nas pernas.

Fonte: Android Police

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