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Firefox 153 ESR chega com contentores e novas proteções de privacidade

Nova versão de suporte alargado do Firefox foca-se em isolamento de cookies, contentores e ajustes forçados pelo quadro regulatório europeu. E ainda ensaia uma janela “smart” com modelos de IA.

Firefox 153 ESR chega com contentores e novas proteções de privacidade

A Mozilla já tem prontas as builds finais do Firefox 153 ESR, a nova versão de suporte alargado do browser que vai ser anunciada oficialmente a 21 de julho. Para quem vive em Linux ou em ambientes corporativos que fogem a atualizações de seis em seis semanas, é este o ramo que interessa.

O ciclo é um pouco confuso: durante alguns meses o Firefox 153 ESR vai coexistir com o 140 ESR e ainda com a velha série 115 ESR. O plano é o 153 substituir o 140 quando este sair de cena em setembro de 2026 e passar a ser, de facto, o ramo estável de longo prazo para quem precisa de previsibilidade em vez do carrossel de funcionalidades da versão normal.

Em termos de novidades visíveis, o 153 ESR traz um atalho rápido de “Pick a color” que permite escolher e copiar uma cor de qualquer página, escrevendo “pick color”, “color picker” ou “eyedropper” na barra de endereço. Há também uma forma rápida de abrir o Firefox Labs escrevendo “labs” ou “experiment”. Nada que mude o mundo, mas mostra a obsessão da Mozilla em enfiar tudo na omnibar. Mais útil para o dia a dia é o suporte para partilhar qualquer página via código QR diretamente do browser e o destaque a vermelho do ícone de localização quando um site tem acesso ativo à tua posição.

O verdadeiro peso desta versão está na forma como o Firefox passa a tratar fronteiras: entre contextos, entre sites e entre a tua máquina e a rede local. O 153 ESR vem com suporte nativo a contentores, permitindo separar trabalho, compras, uso pessoal ou banca em separadores isolados, com sessões e cookies separados no mesmo ecrã. Ao mesmo tempo, o browser ativa por defeito restrições de acesso à rede local e impede extensões de lerem ficheiros locais, a não ser que autorizes. Em paralelo, a Mozilla começa a remover as velhas opções de cookies das Definições e troca-as por um simples “Isolar cookies entre sites”, alinhado com a ideia de cortar tracking de terceiros em vez de encher o utilizador de sliders enigmáticos.

Há também a parte menos falada mas muito europeia: o Firefox 153 passa a verificar e mostrar certificados QWACs (Qualified Website Authentication Certificates) de acordo com o regulamento eIDAS. É uma cedência ao enquadramento regulatório da UE que muitos especialistas em segurança têm criticado, porque pode concentrar demasiado poder em autoridades centrais de certificação. Para o utilizador comum, o resultado é mais um selo de “confiança” no cadeado, que tanto pode clarificar como confundir, dependendo de como os sites e as autoridades o usam.

No lado mais utilitário, há melhorias no editor de PDFs integrado: podes juntar vários PDFs arrastando ficheiros para a barra lateral e adicionar imagens como novas páginas. Surge ainda suporte a HDR em vídeo no Windows e a tal Smart Window, uma espécie de assistente que te deixa escolher modelos de IA diretamente numa janela com barra de endereço familiar. A Mozilla insiste que quer IA sob controlo do utilizador, mas a linha entre ferramenta útil e ruído é fina, especialmente num mercado onde projetos open-source de voz e IA, como os que vimos em soluções de ditado local em Linux, tentam manter alguma autonomia em relação às grandes clouds.

Para developers, a lista é longa e técnica: subset de ::-webkit-scrollbar, suporte a popover="hint", Error.stackTraceLimit, novo modo Local nas DevTools para mapear diretórios locais em origens personalizadas sem correr um servidor, importação de texto via atributo import no sistema de módulos, ajustes a propriedades de alinhamento em CSS e à sintaxe das funções circle() e ellipse(). Há ainda mudanças nas regras de parsing de elementos <select>, implementação de Intl.LocaleInfo e melhorias na API de Picture-in-Picture e nas capacidades de media para WebRTC. Não é uma versão vistosa, é uma versão de infraestruturas, com o browser a adaptar-se tanto à pressão dos reguladores europeus como ao novo normal em que qualquer aplicação acha que precisa de um botão com IA.

Fonte: 9to5Linux

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